4 de março de 2011

Roleta Russa

Chegou minha vez, e não vou ceder. Não vou pensar. Com a arma nas mãos me sinto seguro, até estranho a sensação. Mas eu gosto - e gosto muito - disso. Imaginando quem será minha vítima, meus amigos sorriem, não acham que vou acertar. Jogam um dado para cima. Ao invés de números, tem partes do corpo que posso atingir. Quando o dado cai na mesa, a escolha foi fácil. Tenho que atingir a palma da mão. Agora, vou até os papéis pra sortear minha vítima. Se sair meu nome, terei que dar a arma a pessoa que mais confio e me colocar no alvo. As mãos querem tremer, mas mantenho-me concentrado. Ao colocar a mão na caixa, tiro o papel mais enrolado. Ao puxá-lo, não me surpreendo. Meu nome estava escrito nele. Dentre cinco pessoas, escolho alguém de minha confiança. Collin. O conheço há 10 anos. Ele ficou sério, não queria que o escolhesse, mas ele sabia que eu o escolheria. Passo a arma para ele. Ainda estou seguro, quieto. Collin me olha nos olhos, e eu apenas aceno com a cabeça, passando confiança para ele. Encostado na parede, posição de "redenção", olho fixamente para o cano da arma, levanto o braço e o coloco no alvo. Fecho os olhos e me mantenho sério, ao contrário dos meus amigos que sorriem, sabendo que Collin acertará. Ele gira o tambor da arma, encaixando-a sem nem olhar para mim ou para a arma. Ele estava fisicamente ali, mas não emocionalmente. Colocando o dedo no gatilho, Collin dispara a arma. Desta vez, eu ganhei. Respiro normalmente, olho nos olhos de Collin e digo sem piscar. “Roleta Russa”.

6 Comentários:

Tainã disse...

Mana, você se superou! PARABÉNS.
Esse texto está EXCELENTE. Nada de amor explícito, finalmente. Uma criatividade invejável! PARABÉNS, novamente.

Bia disse...

Forte, intenso, MUITO BOM!
Parabéns, de verdade!

Arianne Carla disse...

Às vezes temos medo de arriscar, mas porquê não? Seu texto me mostrou o outro lado da moeda, talvez eu sinta mais do que tudo isso e gire: Roleta russa! Gostei muito do seu cantinho e estarei seguindo com certeza. Passa lá no meu? Beijos.

Tathiane Cortez disse...

Lua,
realmente me surpreendi !
Como a Tai disse ali acima: ' nada de amor explicito ' . Como você soube trabalhar bem ! Doses de suspense, simplicidade. Viu, sua mente é um campo fértil não somente para o 'amor'.

Isabela Dahab disse...

Incrível seu blog, me emocionei lendo este texto. Parabéns!
Te indiquei um selo.

Iule Karalkovas . disse...

Amei seu blog, parabéns :)

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