20 de abril de 2011

Afasta-me de mim

Habita em mim um silêncio que grita por alguém, que me consome.
Ele só lateja dentro de mim, me ensurdece.
Ensurdecido, desfaço meus erros, disfarço o meu olhar, meu foco.
Sem apelos, escondo minhas vontades, meus gostos, minha emoção.
Silêncio! Não quero ouvir nada que venha de você.
Silencio a mim, silencio o meu ser.
Chega! Finalize tudo isso! Livra-me daqui!
Mate-me, alivie-me, afaste-me de mim.
O meu cálice grita por um pouco de atenção.
Meus olhos pedem socorro, anseiam por uma saída.
Essa dor que me tira a vida,
Ninguém me enxerga,
Ninguém me percebe,
Ninguém me vê.
Ora caminho curto, ora um longo caminho a percorrer.
Escuridão, não há uma luz no fim deste caminho.
Não, eu não quero que me ajudem; ajudarei-me sozinho.
Encolho-me como um feto e não há movimento algum,
Mas meu coração pulsa, chama, chora, geme, e eu o emudeço.
Então, me enrijeço, enlouqueço, afasto-me de mim.
Não, eu não quero que me amparem, não quero amor e nem perdão.
Livre-me deste cálice, desta dor, da depressão.
Livre-me de mim antes que eu faça isso.
Não me julgo são para estar à beira do precipício.

2 Comentários:

Tainã disse...

É loucura. Sim, uma loucura doce, sem início e fim. Uma boa loucura.

deia.s disse...

Isso me deu um pouco de medo.
Escreve muito bem. :*

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