17 de junho de 2011

Um copo com gelo .

Eu só precisava de uma dose daquele velho uísque, só isso.
- Garçom?
- Sim?
- Me traz aquele uísque de sempre, mas dessa vez não coloque gelo.
Fiquei pensando até que horas esperaria que ela entrasse na porta do bar e dissesse que me ama, sem medo de ser feliz, sem medo de ser minha. Eu não bati nela por querer, a garrafa de uísque estava na minha mão, então, não foi por covardia, eu agi sem pensar, foi no momento, eu não tive intenção de fazer isso com ela, eu a amo, quer dizer, eu mais que amo, ela é minha vida. Talvez se ela não falasse tanto sobre o meu passado, isso não acontecesse. Ela insistia em saber de tudo, pra que ela precisa saber o que aconteceu com meus pais? Eles foram assassinados por alguém desconhecido, mas ela sempre tinha medo de olhar nos meus olhos, quando eu dizia isso. Parei depois de tudo o que fiz com ela e implorei perdão, mas ela não respirava, sua cabeça sangrava, mas eu limpei, eu tirei todos os vidros que estavam dentro dos seus cabelos, mas ela não queria me olhar, ela ficou olhando pra um ponto fixo no teto, ela estava no chão, mas a pancada não foi tão forte, ela não podia ficar com tanta raiva. O corte havia sido profundo, mas ela daria um jeito nisso, ela era enfermeira, ela mesma faria o curativo, assim que ela despertasse, ela cuidaria. Ela não queria falar comigo, então, saí e a deixei lá. O tempo passa tão devagar, ela não virá, até o garçom estranhou ela não ter chegado, ele sempre nos via aqui, ela vinha toda séria e sempre atrasada, ele a viu com o olho inchado, da última vez, mas ela havia levado uma queda. Eu estou ficando viciado nesse uísque, mas não estou cansado e também não quero ir pra casa, não vou dar o braço a torcer, ela deve estar do mesmo jeito que deixei, sem nem se mexer, eu limpei o rosto dela, implorei perdão, mas ela não deve ter me perdoado, lembro dos olhos fixos no teto, estranho isso, ela nunca havia ficado tanto tempo parada. Resolvo caminhar um pouco, ando ao redor do prédio, e vejo o carro da polícia, mas ela não deve ter dito nada, deve ter sido a vizinha. Volto pra o bar.
- Garçom?
- Sim?
- Um copo de uísque, mas dessa vez quero num copo com gelo, muito gelo!
Alguns minutos depois chega um rapaz me chama lá na porta do bar, estranhei o terno dele, ainda mais pelo horário. Vou até ele e pergunto o que ele deseja. De forma tranqüila o rapaz me olha nos olhos e diz:
- O senhor está preso pelo assassinato da sua esposa.
Olhando para baixo, deixei que ele me algemasse, ela não ligou pra polícia, mas a vizinha deve ter ligado, ela sempre olhava estranho pra mim, infelizmente esqueci-me de inventar um desconhecido. Desta vez vou preso, mas quando sair, ela vai ser a próxima vítima.

2 Comentários:

deia.s disse...

Se eu não te conhecesse - porque eu acho que conheço, rs - teria um pouco de medo de ti, como tenho do personagem que criastes.
Gosto muito de narrativas assim, tudo a seu tempo.

Parabéns lua!

Ah e dois copos de uísque, um sem gelo e um com muito, muito gelo! arg

(L)

Larissa Castro disse...

gostei do texto. criativo, muito bom.

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