2 de outubro de 2011

O indefinido se definiu .

Você ousou me criar e emendar os defeitos em mim
Arriscou me desfazer e construir uma imagem para si.
Nunca tive os atributos que me deu,
Nunca irei cumprir o que prometi,
Mas não sou nada além do que realmente deve enxergar agora.

Ainda há chuva lá fora, e minha camuflagem sumiu,
Não, você realmente nunca me viu.
E nem ao menos consegue distinguir o quão fraca eu sou,
Nem consegue entender que sou inabilitada para ir, para levantar vôo,
Mas você ainda não mira o meu lado hostil.

Pare! Não se iluda, eu não sou feita de cristal.
Eu não quebro, eu não sou de porcelana, não sou nenhuma boneca.
Você inventou para si mesmo uma imagem tão trapaceira, que hoje só pode vê-la.
Ver-me, então, enxerga-me como sou.
Sem camuflagem, sem plano, sem qualidade, sem som.

Entenda que nunca fui a flor do seu jardim,
Entenda que o meu indefinido se definiu assim,
Sou incapaz de amar alguém, sou incapaz de querer tão bem,
Agora sozinha posso enxergar, e a minha face me apavora,
Ainda há chuva lá fora.
E é a chuva que me tranca aqui, e eu realmente não quero surgir.

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