21 de outubro de 2012

Angústias Cortantes

Ela gosta de evitar olhar-se no espelho e ver que sua vida não passou de uma fantasia de sua cabeça, onde todos aos seu redor eram felizes e devidamente dignos de todo o amor e carinhos que ela fornecia. Durante todos os anos, aniversários e festas familiares ela se dedicou a sorrisos e meiguices falsas, onde por dentro sentia repulsas e vontades imensas de cortar seus pulsos e deixar a vida se esvair pelo sangue que foge dos seus pulsos tão relutantes. Ela não aguentava mais fingir e forjar sorrisos na vida tão fútil e idiota que levava, precisava gritar, precisa sumir e fugir de si mesma. E todos dizendo que ela merecia sorrir, faziam com que ela agisse de acordo com o que achavam que era melhor, mas ela nunca foi do tipo obediente, meiga ou doce. Ela sempre foi uma verdadeira grossa e menina que se revoltava por qualquer um que chegasse e fizesse seu coração se quebrar, mas sempre silenciava em suas raivas e angústias cortantes. Ao chegar em casa, ela se escondia no banheiro com seu kit quase - suicídio, e fazia o que acalmava seu ser. Ela se cortava até toda sua raiva passar e depois voltava para seu mundo cor de rosa, formado e formatado por pessoas que sempre queriam indicar seus caminhos. Nunca se entregou totalmente a seus momentos de raiva, sempre foi de se conter e evitar. Mas um dia ela precisou se cortar, e esse corte foi tão profundo que ela pode ver o mundo girar e sumir a sua volta, a menina induzida agora fez algo que foi totalmente seu, ela tentou aquilo que se negava a fazer, ela se cortou tão profundamente e acordou num hospital cujo os pacientes eram parecidos com seu interior, ela não via ninguém, não tinha mais quem induzisse ela. Não haviam vozes, amigos, familiares, nem meiguice fingida, ela agora podia fazer o que sua cabeça permitia, a menina havia se matado no mundo real, e o seu mundo agora entre os loucos. A menina não mais fingia, agora ela era ouvida, ela tinha raiva e seus remédios a acalmavam. A menina agora vivia. Suas angústias cortantes, cortaram qualquer laço com um amor falso que o mundo lhes oferecia. 

0 Comentários:

Postar um comentário