16 de outubro de 2012

Moça de olhos castanhos

Ela olha para o céu com medo. Seu coração se aperta e angustia a alma que tanto chora sem saber o motivo. Ela tem medo. Suas lembranças machucam, desejo de saber o que aconteceu, uma infância embaralhada e certamente apagada por motivos que a pobre menina de olhos castanhos profundos não imagina. Que medo é esse que te assusta e te afasta da realidade? O que aconteceu de tão grave, de tão horrível que a menina não lembra? Ela foge em momentos de felicidade, mas a angústia permanece dentro dela, com um medo, um receio e um segredo que jamais será revelado. Segredo este que nem a menina de olhos e cabelos castanhos sabe o que significa. O medo de olhar suas mãos, o medo de olhar para trás. As pessoas insistem que ela siga, mas tem algo que a prende, que não deixa com que ande, que chega a puxar suas pernas e rasgar seus momentos de felicidade, e ela novamente se angustia. O remédio não será mais um refúgio, afinal, ela não quer se manter fora de si. Ela tem medo, ela tem receio, ela não sabe o que pode fazer lembrar da sua infância tão superficialmente inocente. A menina de olhos castanhos já não quer deixar pra trás, seu presente parece perfeito, mas o que seu passado esconde? Essa agonia já vem crescendo, esse medo vai além do que suas mãos podem segurar. A menina de olhos castanhos não se encaixa no quadro socialmente correto, ela não é comum, ela não quer ser comum. A menina de olhos castanhos confessa ter medo e os seus olhos lacrimejam do medo que existe dentro dela. 

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